Corinthians / Ídolos / Neco

Neco iniciou sua trajetória no Corinthians desde a fundação do clube. Seu irmão César foi titular no primeiro jogo da história do Timão, contra o união da Lapa. Neco, com 15 anos na época, já fazia parte do terceiro quadro do clube, dividindo as suas atenções com o Botafogo, famoso time de várzea.
Em 1913 fez seu primeiro jogo na equipe principal do Corinhians, de onde não saiu mais por um bom tempo.
Foi Neco, inclusive, quem doou ao Corinthians a segunda bola da história do clube, comprada com o pouco dinheiro que ganhava como aprendiz de marceneiro.
Foram 17 anos de Corinthians. Ninguém ficou mais tempo no clube do que Neco, que jogou entre 1913 e 1930.
Extremamente técnico, além do bom finalizador, Neco é o recordista de títulos paulistas, com oito conquistas, incluindo dois dos três tricampeonatos. Foi artilheiro dos Campeonatos Paulistas de 1914, com 12 gols, e 1920, com 25 (a maioria das fontes citam 24 gols, enquanto o Almanaque do Corinthians cita 25. Há ainda uma pesquisa, não oficializada, que diz que o artilheiro do Paulista de 1920 foi Arhur Friedenreich, com 26 gols).
Junto com centro-médio Amílcar Barbuy, Neco foi o primeiro corintiano a ser convocado para a Seleção Brasileira, em 1916, para disputar o Campeonato Sulamericano, na Argentina. Com a camisa da Seleção, foi campeão sul-americano em 1919 e 1922. Em 1919, inclusive, teve grande destaque na conquista do primeiro título do Brasil na competição, fazendo a jogada do gol do título, contra o Uruguai, no primeiro tempo da segunda prorrogação!
Foi dele tambem o primeiro gol da história do estádio da Ponte Grande, no empate em 3 x 3 contra o Palestra Itália (Neco ainda marcou o terceiro gol do Timão nesse jogo inaugural).
Mas o que mais contribuiu para a sua popularidade, foi o seu pavio curto. Existem várias lendas e histórias a respeito de seu temperamento.
A lenda mais famosa é a da cinta. Para prender os calções, como era costume na época, os jogadores usavam uma cinta. Nas mãos de Neco, porém, ela tinha uma outra finalidade. Ao menor sinal de provocação do adversário, ele sacava sua cinta e corria para cima do infeliz que o tirava do sério.
Outra boa história data de 1915. O clube vinha mal financeiramente e estava à beira da falência. Neco, então, liderou um assalto à sede do clube, na madrugada, para "roubar" os móveis e troféus, evitando, assim, que fossem penhorados.
Merecidamente, é um dos poucos jogadores da história do Corinthians a ter um busto no Parque São Jorge (o primeiro a ser homenageado).
Como técnico, foi campeão paulista em 1937.
Por essas e outras razões, Neco foi o primeiro grande ídolo alvinegro, com a cara do Timão.
Ficha técnica
Nome: Manoel Nunes
Nascimento: 07/03/1895 - São Paulo (SP)
Falecimento: 31/05/1977 - São Paulo (SP)
Posição: Ponta-esquerda, centroavante e meia
Período em que jogou no Corinthians: 17 anos (1913 à 1930)
Período em que treinou o Corinthians: 1 ano e meio (1927 à 1928; 1937 à 1938)
Jogos: 297
Gols: 242
Jogos como técnico: 56 (28 V, 13 E, 15 D)
Títulos como jogador:
- 8 Campeonatos Paulistas: 1914, 1916, 1922, 1923, 1924, 1928, 1929 e 1930
- 1 Campeonato Paulista: 1937
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